Cinthia Pascueto

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FOCA. Jornalista do @CLAFfisica e autora do @tavendomae. Mas não resiste a generalidades,acessórios excêntricos e uma modinha meia-boca.
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Posts by Cinthia Pascueto

CERN promove concurso de arte digital

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A parceria é do maior laboratório de física do mundo com um dos maiores centros mundiais para arte e tecnologia, a Ars Electronica

Um novo concurso internacional alia arte digital à tecnologia de física de partículas: é o Prix Ars Electronica Collide @ CERN. O prêmio é um período de residência no CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire), em Genebra, na Suíça, o laboratório mundial de física de partículas onde está instalado o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC (Large Hadrons Collider, o grande colisor de hádrons, que tem 27km de circunferência). Para dar uma ideia da importância do que estamos falando, o CERN é o berço da World Wide Web.

Segundo os organizadores, a intenção do prêmio “é levar a criatividade digital para novas dimensões ao colidir as mentes dos cientistas com a imaginação dos artistas”. A premiação coroa uma parceria cultural e colaboração criativa de três anos entre o CERN e a Ars Electronica, um dos maiores centros mundiais para a arte e tecnologia, responsável desde 1987 por atribuir um dos mais importantes prêmios anuais no campo da arte interativa, eletrônica, da música e da animação e cultura digitais, o Prix Ars Electronica . No entanto, esta é a primeira vez que é anunciado um prêmio como parte do programa de residência voltado para artistas, o Collide @ CERN.

Vista de parte do laboratório do CERN durante a construção do experimento LHC (Divulgação CERN)

O objetivo do concurso é criar novas dimensões nas artes digitais inspiradas nas ideias, engenharia e ciência gerados no CERN, em colaboração transdisciplinar com a equipe da Ars Electronica e do FutureLab, núcleo da Ars Electronica que combina aspectos analíticos e experimentais de um laboratório com a arte e criatividade de um atelier. Não há uma definição quanto à especialidade do artista candidato – arte interativa, músicas digitais e arte sonora, animação computadorizada /Film / VFX, comunidades digitais e mídias sociais, arte híbrida, performance e coreografia, design digital – o importante é ter o digital como meio de fazer ou apresentar o seu trabalho.

A residência do artista vencedor vai acontecer em  duas etapas – os dois primeiros meses serão no CERN, com a companhia de um mentor dedicado especialmente a apresentar o artista ao laboratório de ciências mais famoso do mundo, que será a inspiração para seu trabalho; em seguida, o ganhador passará um mês na cidade de Linz, na Áustria, com a equipe do FutureLab e da Ars Electronica, com quem o vencedor irá desenvolver e fazer um novo trabalho inspirado na residência no CERN.

Todo esse percurso, desde o primeiro encontro do artista com seus mentores no CERN e no FutureLab até sua conclusão serão contados em um blog aberto para o diálogo com o público. O trabalho final será apresentado no of Science and Innovation no CERN, em Genebra, e no Ars Electronica Festival, em Linz, além de entrar no catálogo Cyberarts do Prix Ars Electronica. Como se não bastasse a oportunidade de desenvolver todo esse trabalho em parceria com o maior laboratório do mundo, com estadia e viagens por conta da casa, o vencedor ainda leva um prêmio em dinheiro no valor de 10 mil Euros.

Ars Electronica

Prédio da Ars Electronica, em Linz. (Divulgação Ars Electronica)

Se interessou? Então corre que as inscrições vão até 31 de outubro de 2011. É necessário apresentar o seguinte: um vídeo de até 5 minutos contando o testemunho pessoal do artista e explicando como e por que essa residência irá inspirá-lo em novos trabalhos; um esboço de uma possível ideia/conceito que o artista pretende desenvolver no CERN e no FutureLab; uma planilha de produção com custo e cronograma; portfólio com trabalhos selecionados do artista dos quais ele se orgulha. Os conceitos a serem avaliados são estética, originalidade, concepção, inovação, técnica e qualidade da apresentação, e interesse nas idéias da ciência expressa pelo CERN.

Mais informações sobre a premiação neste site http://www.aec.at/prix/collide/.  Quem for se inscrever para o Prix Ars Electronica Collide @ CERN, nos avise! Ficaremos na torcida!

Potencializando a “vaquinha” no Brasil

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Iniciativas estimulam e financiam projetos culturais com captação de recursos por meio de investimento coletivo

Vamos supor que esteja em seus planos desenvolver um projeto bacana em algum seguimento cultural, como teatro, literatura, arte, música, tecnologia… Mas você não conta com recursos nem patrocínio para dar conta dele. Só boa vontade e uma ideia na cabeça. Uma opção é inscrever seu projeto para captação, no Ministério da Cultura – sabendo de antemão que em 2010, entre mais de 40 mil inscrições, menos de 3mil foram concluídos. Difícil, não é mesmo? Mas não desista! Hoje já existe uma alternativa: as redes de investimento coletivo, ou sistema de crowdfunding, que podem viabilizar seus planos através do apoio do público que “comprar” a sua ideia.

 

O site leva o nome de seu mascote, o Sibite, um passarinho pequeno e franzino do Nordeste brasileiro, que por não ter valor comercial, garante sua liberdade – assim como a iniciativa propõe ao seu projeto

Esse é o funcionamento do SIBITE, portal que será oficialmente lançado no final do mês de julho. Ele funcionará em quatro frentes: projeto independente, financiamento, rede social e informação. Trocando em miúdos, é mais ou menos o seguinte: o idealizador produz um vídeo expondo a sua ideia e publica no site, estabelecendo sua cota e o que os investidores deverão ganhar em contrapartida – esse investimento pode ser de um a mil reais (R$ 1,00 a R$ 1000,00), sendo que o retorno para o investidor deve ser proporcional à sua colaboração. Assim, o consumidor, que vai poder acompanhar todo o processo, torna-se parte da produção e a divulgação cresce, através da própria rede, como um viral. Logo que o valor integral requerido for atingido, o idealizador poderá finalmente viabilizar seu projeto!

A ideia é tornar visível a arte independente e deixar que o próprio público selecione o que ele quer que seja realizado. Assim, a construção da cena cultural torna-se mais democrática, interativa e interessante, uma vez que é possível contribuir e opinar sobre aquilo que gostaria que saísse do campo das ideias. Se a desconfiança por contribuir com um projeto desconhecido ainda for grande, vale à pena saber que profissionais reconhecidos e com destaque na mídia estão apadrinhando a iniciativa – como Cissa Guimarães, Leandra Leal, Otto, Bruno Mazzeo, Helio de La Peña e outros.

O show de Darwin Deez no Circo Voador é o próximo organizado pelo Queremos, no dia 2 de julho. O pôster é de João Simi.

Outros projetos no mesmo molde já foram desenvolvidos de forma independente e com sucesso no país. É o caso do Queremos, iniciativa que surgiu do interesse de trazer ao Rio de Janeiro uma série de shows internacionais que viriam ao Brasil, mas não à cidade – como foi o caso de Miike Snow, Belle & Sebatian, Mayer Hawthorne, Two Door Cinema Club, Vampire Weekend e LCD Soundsystem. No caso do Queremos, o público interessado compartilha os custos de produção e é reembolsado proporcionalmente ao retorno obtido com a venda da bilheteria convencional, podendo inclusive receber de volta o valor integral investido. Quem comprou o ingresso reembolsável dos shows citados acima, por exemplo, assistiu a eles de graça!

Até A Banda Mais Bonita da Cidade, que estourou na Internet com o hit fofucho-repetitivo-chiclete “Oração”, também entrou na onda do crowdfunding para gravar seu primeiro CD. Através do site Catarse, pretende arrecadar a quantia de quatro mil reais por cada uma de suas músicas. Apenas as que atingirem a cota até o prazo final – que termina em quatro dias – serão gravadas. Quatro de 12 canções já atingiram o valor total – “Nunca”, “Canção pra não voltar”, “Ótima” e, é claro, “Meu amor essa é a última oração pra salvar seu coração. Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na despensa: cabe o meu amor! Cabem três vidas inteiras…Cabe uma penteadeira.Cabe nós dois…Cabe até o meu amor, essa é a última oração…”

 

A Banda Mais Bonita da Cidade e seus colaboradores reunidos no clipe de “Oração”

Você tem alguma ideia bacana que gostaria de colocar em prática e se entusiasmou com essa possibilidade? Conta pra gente!

(Com informações da Assessoria do SIBITE. Agradecimento: Lidy Marx)

 

Raj, Leonard e Howard estão no Brasil…e a gente recomenda uma visita ao CBPF!

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Pra quem ainda não sabe, parte do elenco do seriado “The Big Bang Theory” visitou o Brasil semana passada para promover o final da quarta temporada, prevista para ir ao ar em junho. Johnny Galecki, Simon Helberg e Kunal Nayyar – respectivamente Leonard, Howard e Raj – deram entrevistas na cidade de São Paulo e fizeram passeios turísticos pelo Rio de Janeiro.

Johnny Galecki, Simon Helberg e Kunal Nayyar em coletiva para divulgação da 4ª temporada da série no Brasil

Nós, do Garota Nerd, confessamos a vontade absurda que tivemos de stalkear o trio. E sugerimos a eles uma visitinha ao local mais TBBT do Rio de Janeiro: O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), que reúne em laboratórios e salas de estudo, assim como na fictícia Caltech, mestrandos, doutorandos, pós-docs e pesquisadores de ponta das mais diversas áreas da física.

 

Vista Aérea do CBPF, na Urca (divulgação)

O CBPF foi fundado em 1949 por um grupo de cientistas brasileiros e pessoas interessadas no desenvolvimento científico do país – entre elas, os físicos José Leite Lopes e César Lattes. Se você está inscrito na Plataforma Lattes, base de dados que reúne currículos, instituições e grupos de pesquisa das áreas de Ciência e Tecnologia, certamente reconheceu este sobrenome. César Lattes foi um dos físicos brasileiros mais famosos. Ele foi um dos autores da pesquisa que em 1947 descobriram o méson pi. Já vou explicar.

 

Cesar Lattes, um dos descobridores do méson pi

 

Aprendemos no Ensino Médio que o átomo é formado por camadas de elétrons e pelo núcleo de prótons e nêutrons, certo? Mas os cientistas precisavam descobrir como esses elementos se atraem para formar o núcleo, uma vez que não podem se atrair eletricamente, já que os prótons, sendo cargas elétricas positivas, se repelem. Para manter o núcleo coeso, os cientistas perceberam que deveria existir um tipo de forças nucleares, até então ainda desconhecidas, que fosse mais forte que a repulsão elétrica. Antes de Lattes, Hideki Yukawa propôs em 1935 a existência de uma partícula que poderia ser absorvida por prótons e nêutrons, alcançando a estabilidade nuclear através dessa troca de partículas que produziria a atração entre eles. A essa partícula, Yukawa deu o nome de méson, por ter uma massa intermediária entre o elétron e o próton. Diversos estudos importantes foram feitos desde a teoria de Yukawa, mas foi o grupo de Lattes que, em estudos realizados no monte Chacaltaya, na Bolívia, descobriu a partícula que se encaixava nas características exigidas pela Teoria de Yukawa. Em 1947 é finalmente, então, anunciada a identificação do méson pi: partícula responsável pelas forças nucleares e peça fundamental na compreensão do mundo sub-atômico.

Núcleo do átomo: muito mais que prótons e nêutrons...

Esse é só um resumo da história! Que se interessar e quiser saber mais sobre César Lattes e a descoberta do méson pi, dá uma olhada neste texto aqui, do Instituto de Física da UNICAMP, que também indica outras matérias bacanas sobre o tema e disponibiliza o primeiro artigo de César Lattes sobre o méson pi, de 24 de maio de 1947 para a Nature.

Vamos combinar: temos mais é que conhecer nosso cientistas e nos orgulhar de termos em terras tupiniquins pesquisadores tão geniais quanto o fictício – e hipocondriacamente adorável – Sheldon Cooper e seus amigos.

Vai comida tailandesa pra mais alguém aí?

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