Música

Elvis Costello: o nerd que virou cool.

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Questão de prova: analise a foto ao lado. Esses óculos, essas roupas (especialmente a calça “pescando”), essa pose ligeiramente inadequada… isso te lembra alguma coisa? Quando falamos de nerds na música muitos nomes vem à nossa mente. Inclusive a MTV já se deu ao trabalho de fazer um Top 10 de nerds do mundo da música e nessa lista esse lindo cara da foto ao lado aparece em 4º lugar, algo que considero uma injustiça.

Elvis Costello, nascido Declan Patrick MacManus em agosto de 1954 em Londres, Inglaterra, pode ser considerado um precursor em muitas coisas: foi um dos expoentes do estilo que alguns chamam de pós-punk e apontado como um dos responsáveis por levar o estilo aos Estados Unidos, por exemplo. Também é conhecido por suas letras inteligentes e muitas vezes ácidas com jogos de palavras e imagens sobrepostas. Mas, além de tudo isso, Elvis Costello, pra mim, é o precursor do que hoje chamamos de Geek Chic.

Vamos aos fatos: o pai de Declan era músico e sua mãe dona de uma loja de discos. Era de se esperar, então, que ele se tornasse um nerd musical no maior estilo personagem principal de Alta Fidelidade (Aliás, o título do livro de Nick Hornby que virou filme em 2000 também é o título de uma famosa canção de EC, High Fidelity). Como se isso não bastasse, aos vinte anos de idade, pouco antes de se tornar um rock star, Declan trabalhava como técnico em informática em uma fábrica de cosméticos. Isso mesmo, nerds! O cara era um geek muito antes do termo existir e operava aqueles computadores gigantes que hoje vemos em documentários sobre o Vale do Silício. Em entrevista à revista Playboy, ao ser questionado sobre a possibilidade de ter se tornado um Bill Gates, Elvis respondeu:

O que rolou é que eu percebi muito cedo que as pessoas se impressionam com computadores. Na época, começo dos anos 1970, ninguém sabia operar aquelas máquinas, e eu era tratado como um mágico por isso.

Foi no período em que trabalhou na tal fábrica de cosméticos que Elvis compôs Lipstick Vogue, do álbum This Year’s Model, de 1978 (meu preferido!), uma pérola que vale a pena ser ouvida no último volume. Alguns elementos dessa música servem para mostrar porque Elvis se tornaria conhecido como “an angry young man”.

Maybe they told you you were only a girl in a million
You say I’ve got not feelings
this is a good way to kill them

Criou-se, então, uma mítica em torno de Elvis Costello, uma imagem de um cara incapaz de amar e de lidar com o sexo oposto, possível resultado de rejeição por parte das mulheres (De novo, te lembra alguma coisa?). Já em seu primeiro álbum, My Aim is True, Elvis se mostrava um cara extremamente inteligente (Blame it on Cain), sarcástico (Welcome to the Working Week) e ciumento (I’m not Angry), rótulos dos quais ele jamais se livraria, por mais que tentasse. O título do álbum, aliás, não poderia ser mais adequado. My Aim is True (algo como “minha mira é certeira”) traz um compositor de uma sagacidade precisa, quase cirúrgica. Alison, coitada, que o diga:

Sometimes I wish that I could stop you from talking when I  hear the silly things that you say.
I think somebody better put out the big light, cause I can’t  stand to see you this way.
Alison, I know this world is killing you.
Oh, Alison, my aim is true.

Soma-se a isso o visual arrumadinho (terno e gravata bem alinhados) e os icônicos óculos de grau enormes: temos um estereótipo ambulante. Porém, Benjamin Nugent em seu livro American Nerd: The Story of my People aponta para o fato de que Elvis Costello nem sempre foi assim. Nick Lowe, produtor dos primeiros álbuns de EC e um dos grandes responsáveis por seu sucesso, chegou a afirmar que a imagem de Elvis Costello foi construída a partir da detecção de uma tendência.

Foi quando ele tinha 22 anos, depois que ele assinou com a Stiff Records, que a gravadora definiu seu visual – o enorme óculos de Buddy Holly, as calças de brim, o paletó de brechó. Era um visual que se encaixava tanto na era punk quanto no estado emocional que emergia de suas músicas e performances ao vivo: auto-aversão, medo da intimidade, alienação. Declan MacManus não era um nerd. Elvis Costello era.

Nugent também chama atenção para o fato de que EC, nos anos 80, chegou trocar seu nome artístico para Napoleon Dynamite, que também é o personagem-título de um cultuado filme de 2004 sobre um adolescente extremamente nerd (porém os autores negam a ligação entre Costello e o personagem). Mesmo com todas essas evidências, Elvis não se considera um nerd. Em entrevista a David Letterman, quando perguntado em qual grupo ele se encaixava na escola, Elvis desconversou dizendo que não entendia muito bem esses rótulos.

De qualquer maneira, isso foi há muito tempo. Em mais de 30 anos de carreira – e lançando praticamente um álbum por ano – Elvis Costello se renovou (muitas vezes, por sinal!), se reinventou e deixou de ser apenas um cara com raiva de uma garota. Se tornou referência para músicos e bandas diversas, de Radiohead a Fall Out Boy, passando por Jonas Brothers (recentemente Nick Jonas deu uma de tiete de Costello em entrevista à Rolling Stone).  Gravou álbuns de country, jazz e até uma ópera!  É vencedor de um grammy (com o álbum que gravou com Burt Bacharach) e hoje está muito bem casado com a cantora e pianista de jazz Diana Krall.

 

Elvis Costello atualmente: 30 anos de carreira e corpinho de 45. :p

Como podemos ver, Elvis, hoje com 57 anos, deixou de ser o cara esquisito e virou cool. Sendo nerd ou não o fato é que ele (assim como nós, nerds) teve sua vingança, conquistou o mundo e está na moda.

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E para você que, assim como eu, achou esse cara o máximo e se apaixonou perdidamente pelo seu jeito invocado e sarcástico talvez você queira conferir a playlist que eu preparei. Nela você encontra os maiores sucessos do Homem. Espero que gostem. ^_^

 

 

Para saber mais:

Site oficial

The Elvis Costello Wiki

Biografia Complicated Shadows: The Life and Music of Elvis Costello

Box de colecionador com toda a discografia remasterizada.

Potencializando a “vaquinha” no Brasil

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Iniciativas estimulam e financiam projetos culturais com captação de recursos por meio de investimento coletivo

Vamos supor que esteja em seus planos desenvolver um projeto bacana em algum seguimento cultural, como teatro, literatura, arte, música, tecnologia… Mas você não conta com recursos nem patrocínio para dar conta dele. Só boa vontade e uma ideia na cabeça. Uma opção é inscrever seu projeto para captação, no Ministério da Cultura – sabendo de antemão que em 2010, entre mais de 40 mil inscrições, menos de 3mil foram concluídos. Difícil, não é mesmo? Mas não desista! Hoje já existe uma alternativa: as redes de investimento coletivo, ou sistema de crowdfunding, que podem viabilizar seus planos através do apoio do público que “comprar” a sua ideia.

 

O site leva o nome de seu mascote, o Sibite, um passarinho pequeno e franzino do Nordeste brasileiro, que por não ter valor comercial, garante sua liberdade – assim como a iniciativa propõe ao seu projeto

Esse é o funcionamento do SIBITE, portal que será oficialmente lançado no final do mês de julho. Ele funcionará em quatro frentes: projeto independente, financiamento, rede social e informação. Trocando em miúdos, é mais ou menos o seguinte: o idealizador produz um vídeo expondo a sua ideia e publica no site, estabelecendo sua cota e o que os investidores deverão ganhar em contrapartida – esse investimento pode ser de um a mil reais (R$ 1,00 a R$ 1000,00), sendo que o retorno para o investidor deve ser proporcional à sua colaboração. Assim, o consumidor, que vai poder acompanhar todo o processo, torna-se parte da produção e a divulgação cresce, através da própria rede, como um viral. Logo que o valor integral requerido for atingido, o idealizador poderá finalmente viabilizar seu projeto!

A ideia é tornar visível a arte independente e deixar que o próprio público selecione o que ele quer que seja realizado. Assim, a construção da cena cultural torna-se mais democrática, interativa e interessante, uma vez que é possível contribuir e opinar sobre aquilo que gostaria que saísse do campo das ideias. Se a desconfiança por contribuir com um projeto desconhecido ainda for grande, vale à pena saber que profissionais reconhecidos e com destaque na mídia estão apadrinhando a iniciativa – como Cissa Guimarães, Leandra Leal, Otto, Bruno Mazzeo, Helio de La Peña e outros.

O show de Darwin Deez no Circo Voador é o próximo organizado pelo Queremos, no dia 2 de julho. O pôster é de João Simi.

Outros projetos no mesmo molde já foram desenvolvidos de forma independente e com sucesso no país. É o caso do Queremos, iniciativa que surgiu do interesse de trazer ao Rio de Janeiro uma série de shows internacionais que viriam ao Brasil, mas não à cidade – como foi o caso de Miike Snow, Belle & Sebatian, Mayer Hawthorne, Two Door Cinema Club, Vampire Weekend e LCD Soundsystem. No caso do Queremos, o público interessado compartilha os custos de produção e é reembolsado proporcionalmente ao retorno obtido com a venda da bilheteria convencional, podendo inclusive receber de volta o valor integral investido. Quem comprou o ingresso reembolsável dos shows citados acima, por exemplo, assistiu a eles de graça!

Até A Banda Mais Bonita da Cidade, que estourou na Internet com o hit fofucho-repetitivo-chiclete “Oração”, também entrou na onda do crowdfunding para gravar seu primeiro CD. Através do site Catarse, pretende arrecadar a quantia de quatro mil reais por cada uma de suas músicas. Apenas as que atingirem a cota até o prazo final – que termina em quatro dias – serão gravadas. Quatro de 12 canções já atingiram o valor total – “Nunca”, “Canção pra não voltar”, “Ótima” e, é claro, “Meu amor essa é a última oração pra salvar seu coração. Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na despensa: cabe o meu amor! Cabem três vidas inteiras…Cabe uma penteadeira.Cabe nós dois…Cabe até o meu amor, essa é a última oração…”

 

A Banda Mais Bonita da Cidade e seus colaboradores reunidos no clipe de “Oração”

Você tem alguma ideia bacana que gostaria de colocar em prática e se entusiasmou com essa possibilidade? Conta pra gente!

(Com informações da Assessoria do SIBITE. Agradecimento: Lidy Marx)

 

Michael Jackson: o maior nerd de todos os tempos.

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Ele revolucionou a cultura pop, praticamente criou o videoclipe como o conhecemos hoje e redefiniu a noção de espetáculo. Mas pouca gente sabe que Michael Jackson era, ele próprio, um aficionado por filmes, séries de TV, quadrinhos e videogames.

A fascinação de MJ por Peter Pan e pela Terra do Nunca (que deu nome à sua disneylandia particular, Neverland) mostram muito mais do que um pop star que não teve infância e sim uma eterna criança. Além de kart, zoológico e parque de diversões, o rancho possui um salão de jogos com videogames antigos e uma coleção invejável de memorabilia nerd.

Veja algumas fotos abaixo ou clique aqui para um passeio virtual pelo salão de artefatos nerds do eterno rei do pop.


 


Via Jovem Nerd, Gizmodo e blog 100 Grana.

 

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